“Educomunicação e cultura solidária” é o tema com o qual jovens comunicadores vão se ocupar, de 9 a 11 de julho, no câmpus da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos). Educomunicação é um conceito novo, pouco conhecido, aplicado a uma prática que pessoas vêm realizando desde o tempo em que a humanidade começa a fazer história.
Trago um exemplo muito simples dessa prática. As primeiras famílias de descendentes alemães aportaram em São Leopoldo, cidade sede da Unisinos, em 1824. Na nova pátria, não encontraram toda a infra-estrutura que os folhetos propagandísticos anunciavam no Velho Mundo. Faltavam escolas para seus filhos.
O que fizeram, então? Escolheram o agricultor – todos eram trabalhadores rurais em busca de terra – mais letrado, que assumiu o papel de professor, enquanto a comunidade tratava de prover o seu sustento.
As aulas, evidente, eram ministradas em alemão, fato que contribuiu, segundo alguns pesquisadores, para que esse grupo étnico vivesse em guetos em colônias do Sul do Brasil. De qualquer modo, essa escola comunitária tratava de alfabetizar filhos de imigrantes, mas também era a correia de transmissão de hábitos e culturas cultivados na terra de origem.
Um desses hábitos é a festa natalina, que imigrantes introduziram no novo mundo. No Natal, a sala das casas de descendentes de alemães recebe um pinheirinho – hoje já substituído em boa parte por árvore de plástico – com um presépio na sua base e enfeitado com bolas reluzentes e mechas de algodão, uma lembrança adaptada dos flocos de neve que caem, nesta época do ano, em terras européias.
Não deixa de ser um processo de educomunicação a família reunida, em torno da árvore, cantando hinos natalinos como “O du froehliche” ou “Stille Nacht”.
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