Mutirão de Comunicação da America Latina e Caribe

» Editorial


Por: Edelberto Behs - Coordenador do Refresher - 09/06/2009

Chave trocada

Piratas, uma categoria de bandidos temida em mares e oceanos, nos tempos das caravelas e dos galeões, em séculos passado, ganham espaços na imprensa mundial. Muitos se perguntam: Piratas? Mas como é possível? E atacam navios mercantes em águas da Somália? Como conseguem?

Como conseguem, ainda não apareceu uma explicação plausível. Agora, que não são piratas os que estão ocupando grandes embarcações no Golfo de Aden, por onde passam 20% do petróleo negociado no mundo, isso não! 

Quem primeiro usou o termo pirata, segundo artigo de Frei Betto para o Correio da Cidadania, foi Homero, na Odisséia. O termo deriva do grego “assaltar”.

Os mafiosos “piratas” somalianos se autodenominam de “Guarda Costeira Voluntária da Somália”. E o que faz a Guarda Costeira? Ela trata de defender os interesses do seu país. Integram a guarda costeira pescadores que buscam compensação ao peixe que barcos de pesca da Europa tiram daqueles mares.

Não só isso. O golfo é área de despejo do lixo tóxico europeu. Ora, qualquer nação industrializada da Europa, da América do Norte, colocaria a guarda costeira em ação se navios estrangeiros estivessem despejando lixo em seus mares e trataria de defender seus pescadores.

Agora, se somalis os fazem eles são “piratas”. “Não somos bandidos do mar. Bandidos do mar são os pesqueiros clandestinos que saqueiam o nosso peixe”, declarou um dos líderes dos somalis voluntários, Sugule Ali, ao jornal The Independent.

Seria, então, muito relevante se profissionais da imprensa passagem por programas de educomunicação para evitar a chave trocada: chamar de “piratas” quem está defendendo os seus direitos e de vítimas os saqueadores de riquezas alheias.

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