Mutirão de Comunicação da America Latina e Caribe

» Editorial


Por: Christa Berger - Equipe acadêmica do Mutirão - 08/06/2009

Einstein e Freud discutem a guerra

A pergunta sobre o porquê de a humanidade seguir em guerra, depois de tantas experiências históricas de derrota mesmo para o lado vencedor, me acompanha há muito tempo. Para além do argumento sempre repetido de ir à guerra para enfrentar o inimigo, queria saber sobre o tipo de sentimento que é acionado em quem tem o poder de dizer SIM à guerra.

Um dia, por acaso, li uma referência sobre a existência de uma correspondência entre Albert Einstein e Sigmund Freud sobre o tema. Localizei as cartas em uma edição da editora Minúscula de Barcelona, com o título Por qué la guerra? Einstein escreveu em 30 de julho de 1932 que tinha recebido do Instituto Internacional para a Cooperação Intelectual a incumbência de escolher um tema e uma pessoa de sua escolha para analisar um problema da humanidade. Ele escolheu como interlocutor a Freud para a seguinte questão: “tal como estão as coisas atualmente, resulta como a mais importante das que se colocam para a civilização.

Existe uma maneira de liberar os seres humanos da fatalidade da guerra?” Ele segue: “A habitual orientação do meu pensamento  não me permite formar uma idéia acerca do querer e do sentir humanos, por isso não posso mais que formular a pergunta para lhe dar a oportunidade de elucidar a questão lançando mão de seu profundo conhecimento da vida dos instintos humanos.”

Dois meses depois, Freud responde com uma longa carta em que lista diferentes motivações para o sentimento de violência e termina falando de sua esperança de que a intolerância dos pacifistas à guerra, conquistasse o mundo. “Quanto teremos que esperar até que também os demais se tornem pacifistas? É difícil dizer, mas talvez a esperança de que estes dois fatores – a atitude cultural e o fundado temor das conseqüências de uma guerra futura – ponham fim aos conflitos bélicos em um prazo limitado não seja utópico. Não é possível adivinhar porque caminhos se logrará este fim. Por hora somente podemos dizer: tudo o que impulsiona a evolução cultural atua contra a guerra.” 

Depois de conhecer as cartas destes dois humanistas, só resta seguir trabalhando pela cultura da paz, esta que é o único antídoto contra a guerra. Guerra que tem outras caras no século seguinte ao dos dois pensadores.

 

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